{"id":1608,"date":"2026-07-10T11:50:09","date_gmt":"2026-07-10T11:50:09","guid":{"rendered":"https:\/\/fortalezasdafronteira.com\/2026\/07\/10\/brais-curras-a-mineracao-romana-transformou-a-paisagem-do-baixo-minho-com-muitas-dessas-minas-ocultas-ou-destruidas-na-atualidade\/"},"modified":"2026-07-14T03:20:03","modified_gmt":"2026-07-14T03:20:03","slug":"brais-curras-a-mineracao-romana-transformou-a-paisagem-do-baixo-minho-com-muitas-dessas-minas-ocultas-ou-destruidas-na-atualidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fortalezasdafronteira.com\/pt-pt\/2026\/07\/10\/brais-curras-a-mineracao-romana-transformou-a-paisagem-do-baixo-minho-com-muitas-dessas-minas-ocultas-ou-destruidas-na-atualidade\/","title":{"rendered":"Brais Curr\u00e1s: \u201cA minera\u00e7\u00e3o romana transformou a paisagem do Baixo Minho, com muitas dessas minas hoje ocultas ou destru\u00eddas\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>O investigador do Instituto de Hist\u00f3ria do CSIC participou esta quinta-feira na Social de Est\u00e1s com uma palestra sobre a transforma\u00e7\u00e3o da paisagem e das comunidades do vale durante a \u00e9poca romana.<\/em><\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ciclo de BARferencias de <strong>Fortalezas da Fronteira <\/strong>continuou na \u00faltima quinta-feira na <strong>Social de Est\u00e1s<\/strong>, na freguesia tomi\u00f1esa de Est\u00e1s, com uma palestra do arque\u00f3logo e investigador <strong>Brais Curr\u00e1s<\/strong>, do Instituto de Hist\u00f3ria do Conselho Superior de Investiga\u00e7\u00f5es Cient\u00edficas. Sob o t\u00edtulo \u201c<strong>A minera\u00e7\u00e3o de ouro romana no Baixo Minho: pessoas, lugares e povoados<\/strong>\u201d, Curr\u00e1s apresentou ao p\u00fablico uma leitura arqueol\u00f3gica da profunda transforma\u00e7\u00e3o que o territ\u00f3rio viveu com a chegada e consolida\u00e7\u00e3o do dom\u00ednio romano. <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante a sua interven\u00e7\u00e3o, o investigador explicou que a sua linha de trabalho se centra no estudo da transi\u00e7\u00e3o entre a Idade do Ferro e a \u00e9poca romana nas paisagens do noroeste da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica, com especial aten\u00e7\u00e3o ao Baixo Minho, territ\u00f3rio ao qual dedicou a sua tese de doutoramento.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Curr\u00e1s assinalou que o Baixo Minho foi um espa\u00e7o profundamente transformado pelo dom\u00ednio de Roma j\u00e1 desde a \u00e9poca republicana e, de forma especialmente intensa, a partir do per\u00edodo de Augusto. Com o in\u00edcio do Imp\u00e9rio, explicou, come\u00e7ou uma explora\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica dos recursos aur\u00edferos que modificou tanto a paisagem como a vida das comunidades que habitavam o vale. <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo explicou o investigador, o vale do Minho e grande parte do noroeste peninsular estiveram marcados pela presen\u00e7a de explora\u00e7\u00f5es aur\u00edferas que abasteceram o Imp\u00e9rio Romano com ouro. Este ouro, recordou, foi fundamental para garantir o funcionamento do sistema monet\u00e1rio, da economia e, consequentemente, do pr\u00f3prio sistema imperial romano. <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No caso do Baixo Minho, Curr\u00e1s destacou que a paisagem mineira permanece hoje em grande medida oculta pelas transforma\u00e7\u00f5es acumuladas ao longo dos s\u00e9culos. Al\u00e9m disso, denunciou os danos causados nesses s\u00edtios arqueol\u00f3gicos pela constru\u00e7\u00e3o de estradas, parques industriais e, sobretudo, pela planta\u00e7\u00e3o de eucaliptos. Ainda assim, sublinhou que um olhar arqueol\u00f3gico permite identificar um amplo complexo mineiro que produziu ouro e que teve um impacto decisivo na organiza\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio, nos povoados e nas formas de vida das pessoas que habitavam esta zona.  <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">investigador do CSIC tamb\u00e9m mencionou alguns dos assentamentos mineiros que surgiram junto a estas explora\u00e7\u00f5es: \u201cEram castros mineiros, mas j\u00e1 completamente romanizados\u201d, apontou. Na verdade, grande parte da popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena que trabalhou nestas minas romanas foi deslocada, apesar de n\u00e3o estar escravizada. Hoje em dia, muitos destes assentamentos est\u00e3o destru\u00eddos por planta\u00e7\u00f5es de eucaliptos.  <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A BARfer\u00eancia permitiu oferecer ao p\u00fablico uma vis\u00e3o do Baixo Minho como uma paisagem hist\u00f3rica complexa, marcada pela explora\u00e7\u00e3o dos recursos naturais, pela integra\u00e7\u00e3o no Imp\u00e9rio Romano e pela transforma\u00e7\u00e3o das comunidades locais. A sess\u00e3o serviu tamb\u00e9m para ligar a investiga\u00e7\u00e3o arqueol\u00f3gica ao conhecimento do territ\u00f3rio e \u00e0 mem\u00f3ria material que ainda hoje permanece na paisagem. <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As BARfer\u00eancias fazem parte da programa\u00e7\u00e3o aberta de <strong>Fortalezas da Fronteira<\/strong>, um projeto arqueol\u00f3gico em torno do s\u00edtio de <strong>As Torres<\/strong>, em San Miguel de Taborda, Tomi\u00f1o. A iniciativa combina trabalhos de investiga\u00e7\u00e3o, voluntariado, forma\u00e7\u00e3o, roteiros e encontros de divulga\u00e7\u00e3o com o objetivo de aproximar \u00e0 cidadania a arqueologia, a hist\u00f3ria e a mem\u00f3ria da raia galego-portuguesa. <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ciclo continuar\u00e1 nos pr\u00f3ximos dias com novas atividades em torno da paisagem fortificada, da educa\u00e7\u00e3o patrimonial e da mem\u00f3ria dos territ\u00f3rios de fronteira.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O investigador do Instituto de Hist\u00f3ria do CSIC participou esta quinta-feira na Social de Est\u00e1s com uma palestra sobre a transforma\u00e7\u00e3o da paisagem e das comunidades do vale durante a \u00e9poca romana. 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